ECONOMIA  SOLIDÁRIA

 

Como todos sabemos, algumas opções assumidas por segmentos económica     e  politicamente dominantes incidem sobre a vida do conjunto das sociedades.  Consideramos que em meio a um "processo de dominação e exploração consolidado" seja possível e imprescindível haver pessoas que actuem em redes de solidariedade. De facto, se as práticas de produção, comercialização e financiamento solidárias já existentes no mundo forem conectadas sob os princípios de uma rede de colaboração solidária, então é possível engendrar uma alternativa ao capitalismo actual. Neste caso, trata-se de novas relações de propriedade e de trabalho que podem expandir-se, uma vez que o que seria considerado lucro passível de acumulação privada sob o modelo capitalista, é compreendido como um excedente a ser reinvestido para o crescimento da rede, diversificação de sua produção e aprimoramento dos produtos, de modo a promover o bem viver de todos os que praticam o consumo solidário. Sob o modelo da colaboração solidária não há acúmulo de lucro privado, mas reinvestimento para a promoção do bem viver de todos e de cada um em particular.

Trata-se de partir do que já existe, de articular o potencial de consumo e de produção da grande massa de pessoas marginalizadas pelo capitalismo e de todos os que se solidarizam com a construção de uma nova sociedade, que se dispõem a consumir em razão de seu bem viver pessoal e do bem viver colectivo.

As Redes de Colaboração Solidária portanto: a) permitem aglutinar diversos actores sociais num movimento social orgânico com forte potencial transformador; b) atendem procuras imediatas desses actores por emprego, de sua força de trabalho e por satisfação de suas necessidades por consumo, pela afirmação de sua singularidade negra, feminina, etc; c) negam estruturas capitalistas de exploração do trabalho, de expropriação no consumo e de dominação política e cultural, e d) passam a implementar uma nova forma pós-capitalista de produzir e consumir, de organizar a vida colectiva afirmando o direito à diferença e à singularidade de cada pessoa, promovendo solidariamente as liberdades públicas e privadas eticamente exercidas. 

Baseado nos textos “A Colaboração Solidária – Compreendendo, Transformando e Conectando o que já existe” e “Economia Solidária: um novo paradigma” de Euclides André Mance:

 

Torna-se, portanto, necessário usarmos as ferramentas que temos à nossa disposição, intervindo cultural e socialmente, estimulando dessa forma a discussão, a criatividade, enfim, o surgimento de novos caminhos. 

Uma das formas será, acreditamos, através da associação de pessoas, aproveitando as vontades, as experiências individuais e os afectos, para o desenvolvimento de ideias e acções comuns. Partimos para este projecto aproveitando sim as experiências adquiridas anteriormente, mas sem conceitos definitivos, apenas tendo como base princípios éticos e morais, fazendo com que a homogeneidade desses mesmos princípios seja o ponto de  partida para o aproveitamento de uma heterogeneidade de ideias e  acções.

 

É neste contexto que surgiu a 

COOPERATIVA DE VIDA